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AI-Assisted Decision-Making Framework

Uma framework para a tomada de decisão assistida por IA, construída a partir de uma base de evidência de estudos científicos. Toda a decisão assistida por IA tem três componentes: o Humano e a Tarefa, que caracterizam cada contexto de decisão, e o ecossistema de IA, a única componente que pode ser trabalhado para melhorar a colaboração. A framework é pública, e vai sendo atualizadaa à medida que a base de evidência cresce.

Versão V1.0.0 · Atualizado 2026-08-20 · CC-BY ·

A base de evidência desta framework (os fatores, mecanismos e estudos abaixo) está, por agora, disponível apenas em inglês. É material denso e técnico, e prefiro traduzi-lo com cuidado a fazer uma tradução automática.

Tomada de decisão assistida por IA

O que é

A tomada de decisão assistida por IA descreve qualquer processo em que uma pessoa toma a decisão final, mas um sistema de IA a molda ao longo do caminho, por vezes com uma recomendação explícita, por vezes com algo mais subtil: uma pontuação de risco, uma região destacada numa imagem, uma breve explicação. Um radiologista lê uma mamografia enquanto um modelo assinala tecido suspeito. Um analista de crédito vê uma probabilidade prevista de que um requerente entre em incumprimento. Um juiz é confrontado com uma pontuação de risco de reincidência.

O apelo está em que os dois deveriam cobrir as fraquezas um do outro: as pessoas são inconsistentes e transportam enviesamentos, os modelos são consistentes mas frágeis fora dos casos em que foram treinados. A evidência para essa promessa é mais ténue do que parece. As equipas humano-IA costumam superar as pessoas a trabalhar sozinhas, mas frequentemente ficam aquém da IA a trabalhar sozinha.

A razão é a confiança. Confiança excessiva significa aceitar uma recomendação que está errada; confiança insuficiente significa rejeitar uma que está certa. Qualquer uma delas basta para anular o benefício, e nenhuma se resolve apenas por mostrar à pessoa mais informação sobre o modelo.

Isto tornou a tomada de decisão assistida por IA um problema intensivamente estudado, e um vasto conjunto de experiências testa hoje intervenções (desenhos de explicação, indicadores de confiança, protocolos que retêm a recomendação até a pessoa se comprometer com o seu próprio julgamento) para perceber que técnicas e desenhos melhoram genuinamente a colaboração, reduzem a confiança excessiva e insuficiente, e elevam a qualidade da decisão.

Porque é que importa

Desde 2 de agosto de 2026, esta deixou de ser apenas uma questão de investigação. O artigo 14.º do Regulamento de IA da UE obriga os fornecedores de sistemas de IA de risco elevado (uma categoria que abrange dispositivos médicos, avaliação de solvabilidade de crédito, recrutamento, educação e aplicação da lei) a concebê-los de modo a que possam ser "efetivamente supervisionados por pessoas singulares" durante a sua utilização. O Regulamento é invulgarmente específico quanto ao que essa supervisão tem de resistir. Entre as capacidades que o sistema deve permitir está:

“to remain aware of the possible tendency of automatically relying or over-relying on the output produced by a high-risk AI system (automation bias), in particular for high-risk AI systems used to provide information or recommendations for decisions to be taken by natural persons.”

Regulation (EU) 2024/1689, Article 14(4)(b)

O Regulamento nomeia exatamente a falha que esta literatura investiga. Nomeia também o lado oposto: o artigo 14.º, n.º 4, alínea d), exige que o supervisor seja capaz de "desconsiderar, anular ou inverter" o resultado, a capacidade cujo uso excessivo é a confiança insuficiente.

O que a lei não diz é como. "Manter-se consciente" é um objetivo, não um mecanismo, e os caminhos óbvios para essa consciência revelam-se pouco fiáveis. As explicações frequentemente não conseguem reduzir a confiança excessiva, e por vezes até a aumentam. As intervenções que a reduzem podem custar precisão, rapidez, ou a disponibilidade da pessoa para adotar o sistema. Um dever legal de combater o enviesamento de automação só é acionável se soubermos que opções de design realmente o alteram, para quem, e em que tarefas, e essa é uma questão empírica sobre o comportamento humano, não uma questão sobre o modelo.

A framework

Esta framework é uma tentativa de estruturar a literatura e as evidências ciêntificas. Reúne estudos experimentais sobre tomada de decisão assistida por IA, codifica cada um da mesma forma, e pergunta o que realmente se sabe sobre como as pessoas se comportam quando decidem ao lado de uma máquina, para investigadores que precisam de ver onde a evidência é escassa, para profissionais que desenham estes sistemas, e para quem quiser perceber o panorama sem ler uma centena de artigos.

Divide o cenário em três componentes. O humano é quem decide: a sua experiência, se trabalha sozinho ou em grupo. A tarefa é o que está a ser decidido: quão difícil é, quanto custa errar, se há tempo para pensar, se a resposta pode sequer ser verificada. Ambos são, em grande medida, fixos para uma dado processo de decisão (um hospital não pode preencher a radiologia com não-radiologistas). O ecossistema de IA, a performance do modelo, a forma como apresenta o seu resultado, se se explica a si próprio, é a parte que é desenhada e pode ser alterada, e onde vivem as intervenções. Dentro de cada um estão os fatores que alteram o desempenho da decisão e a confiança.

Não fica pela organização da literatura. Cada fator carrega mecanismos: afirmações curtas sobre o que causa o quê, ligadas aos estudos que os apoiam e aos estudos que os contradizem. Os mecanismos são ordenados pelo grau de apoio que têm, desde a conclusão mais replicada até um único estudo. O objetivo é um recurso que responda onde a evidência permite uma resposta, e o diga claramente onde não permite.

Human Inherited
Task Inherited
AI Ecosystem Designable

Toda a framework é uma simplificação, e esta não é exceção. Os fatores aqui apresentados são deliberadamente amplos; estudos individuais contêm distinções, condições e ressalvas que nenhum diagrama consegue detalhar ao promenor. Quando um estudo é mais rico do que a sua posição na framework sugere, esse detalhe está disponível na página do próprio estudo.

Onde está a evidência

22 mecanismos, ordenados pelo número de estudos que apoiam cada um, desde o mecanismo com o maior número de estudos de apoio até ao que assenta em menos, atualmente 2 estudos.

The effect of explanations on decision quality is conditional, not a main effect, and is often null or negative

11 supporting ·
Decision accuracyTrustOver-reliance
Details

Asked unconditionally, do explanations help, this literature answers no. Asked conditionally, specifying model performance, task difficulty, risk and explanation form, it answers yes under stated conditions and no otherwise.

  • On the negative side, Alufaisan and colleagues ran the three-arm design with a no-AI control, an AI-only arm and an AI-plus-explanation arm, and found the AI itself carried the benefit while explanations added nothing.
  • De Brito Duarte and colleagues found the effect of explanation on trust jointly conditional on system performance and risk level, and only feature importance moved anything, with counterfactuals indistinguishable from no explanation for lay users.
  • On the positive side, Vasconcelos and colleagues obtain clear benefits in hard tasks and with salient explanations, and Leichtmann and colleagues find explanations improving accuracy on precisely the items where the classifier erred, while lowering trust in a way they read as better calibration.

Calibrated reliance requires knowing when the AI fails, which case-level confidence supports and explanations do not

9 supporting ·
Over-relianceUnder-relianceDecision accuracy
Details

Knowing that a model is 80% accurate tells the decision-maker nothing about the case in front of them. What supports selective reliance is a usable model of the error boundary, meaning where in the input space the system fails, and the properties of that boundary matter as much as the accuracy figure attached to it.

The two Bansal 2019 papers establish both halves. Mental model quality mediates the relationship between AI accuracy and team performance, and boundaries that are less parsimonious, higher-dimensional or stochastic are learned poorly or not at all: a two-sided stochastic boundary was never learned, with the proportion of optimal choices flat near 50% across rounds. The corollary is that an update improving accuracy can reduce team performance by invalidating the boundary the human has already learned.

Cutting over-reliance usually raises under-reliance, so accuracy does not move

8 supporting ·
Over-relianceUnder-relianceDecision accuracy
Details

Most interventions that make people less willing to accept the AI make them less willing to accept it when it is right as well as when it is wrong. The two movements cancel, which is why so many designs succeed on one reliance measure and vanish on decision quality. A reported reduction in over-reliance is therefore uninformative unless the corresponding under-reliance figure is given alongside it.

Explanations help only when the user can check them against the case

8 supporting ·
Over-relianceDecision accuracyUnderstanding of AI
Details

What determines whether an explanation improves a decision is not how much it explains but whether the user can hold it against the evidence and see a mismatch. Explanations that are inspectable at a glance, such as similar cases shown as images or a highlight drawn on the artefact itself, let people form their own reading first and make the model's errors visible. Explanations that must be reasoned about in the abstract, such as feature weights, counterfactuals or fluent prose, are rhetorically dominant, suppress the user's own reading of the case, and are accepted without being checked.

Fluency makes this worse: the most conversational interface in the base produced the worst self-reliance. The mechanism is distinct from explanation quality, since a faithful explanation in an uncheckable form still displaces judgement.

Sobre a base de evidência

Este trabalho não começou com uma framework teórica. Começou com artigos: estudos experimentais sobre pessoas a tomar decisões com IA. O que se tornou óbvio rapidamente foi que o mesmo punhado de variáveis continuava a reaparecer: quem era a pessoa a decidir, que tipo de tarefa enfrentava, como a IA se apresentava e quão boa era. Centros de investigação diferentes, domínios diferentes, vocabulário diferente, mas um conjunto recorrente de coisas a ser variado e medido. Essas recorrências tornaram-se os fatores da framework, agrupados nas três componentes que pareciam organizá-los: o humano, a tarefa e o ecossistema de IA. Os fatores surgiram dos artigos e não da teoria, o que é ao mesmo tempo uma força e uma limitação: descrevem o que a literatura escolheu estudar, não necessariamente o que mais importa na tomada de decisão humano-IA.

Depois de os fatores existirem, voltei atrás e codifiquei cada estudo segundo o mesmo esquema fixo, registando o que cada um manipulou, o que manteve constante e o que simplesmente não reportou. Um esquema partilhado torna comparáveis estudos que nunca foram concebidos para o ser, e torna visível o desacordo entre eles. A partir daí consegui extrair afirmações (por exemplo, este fator altera aquele resultado, nestas condições) sobre as quais mais do que um estudo se pronuncia. Essas são os mecanismos, e cada um carrega tanto os estudos que o apoiam como os estudos que o contradizem.

A codificação é aberta. Cada estudo está na Framework Evidence Base, com a sua codificação completa e o texto por trás de cada avaliação, e cada código está definido no Codebook. Qualquer afirmação feita neste site pode ser rastreada até um artigo.

Esta framework cobre os estudos que conheço. Não é uma revisão sistemática, e está certamente incompleta. Se conhecer trabalho experimental que devesse estar aqui, especialmente trabalho que contradiga algo nesta página, por favor envie-mo e eu codifico-o.

Esta framework é trabalho meu. Fui eu que a construí, e sou responsável pelo seu conteúdo e por quaisquer erros que possa conter.

Recorri a assistência de IA no processo: para ajudar a editar texto, para extrair detalhes dos estudos para o esquema de codificação comum, e para propor ligações entre estudos e mecanismos. Todos os artigos da base de evidência foram lidos por mim, todos os campos codificados foram verificados por mim, e cada mecanismo e ligação foi decisão minha.